segunda-feira, 13 de junho de 2016

Modelo do Simulacro Mágico


Existem vários modelos para explicar a Magia tais como o modelo dos Espíritos, o modelo Psicológico e o modelo Energético.

Frater U.D explica-os de forma concisa aqui:
http://www.sacred-texts.com/bos/bos065.htm

O que venho propor é um quarto modelo que chamo de modelo do Simulacro.
A ideia do modelo do simulacro é que estamos a viver numa realidade simulada e por isso (quase) tudo é possível.



Elon Musk criador da Tesla (empresa de carros elétrico) e SpaceX (empresa de naves espaciais) diz que existe "1 chance em bilião que não estamos a viver numa realidade simulada".
(http://www.iflscience.com/technology/elon-musk-thinks-theres-a-one-in-billions-chance-we-dont-live-in-a-computer-simulation/)

A ideia é que há uns anos atrás os jogos de  computador tinham um grafismo muito básico e eram composto apenas de pontos e rectângulos.
Desde desse tempo os jogos têm  evoluído  cada vez mais e de dia para dia os jogos torna-se cada vez mais realistas. Hoje em dia as pessoas vivem em ambientes, como Second Life, com ambientes tri-dimensionais. 
Daqui a pouco a realidade virtual e aumenta também se vai tornar em algo comum para a pessoa comum.
 Daqui 10 mil anos, que não é nada comparado com a escala evolucionária, é possível que tenhamos jogos de realidade virtual com grafismos e sons tão reais que sejam indistinguíveis da realidade.
Então porque devemos assumir que não estamos neste momento já a viver numa realidade simulada?

Este argumento pode ser usado para explicar a magia e todo tipo de fenômenos estranhos.

O modelo espíritos assume a realidade dos espíritos. O modelo do simulacro diz que eles existem e não existem ao mesmo tempo.
Isto é, fora do simulacro eles não existem mas existem dentro do simulacro.
Dentro de simulacro qualquer coisa é possível pois afinal trata-se de um simulacro.

A ideia de um simulacro é que ele deve ser parecer real para ser convincente.
Acredito que no futuro será fundada uma área investigação ou cientifica dedicada exclusivamente ao estudo de como criar os simulacros mais convincentes.

Um simulacro para parecer ser real têm de parecer congruente entre si, tal como o mundo mitológico de Tolkien é congruente entre si.
No campo na filosofia da teoria conhecimento existe a teoria coerentista.
Na teoria coerentista uma crença particular é justificada se aumentar a coerência do nosso sistema de crenças. 
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Teorias_da_verdade#Teorias_coerentistas)

Cada jogo também é congruente entre si e têm as suas próprias regras.
No entanto para cada jogo existem hacks que permitem driblar as regras e aproveitar falhas da realidade.
Esses hacks são falhas da matrix que denunciam que essa realidade é apenas um simulacro.

Um dos hacks da nossa realidade simulada podem ser a magia.
Elas podem ser a assinatura que o criador deste simulacrum deixou para sabermos que ele não é real.


Para algo se parecer convincente têm de ser repetivel nas mesmas circunstâncias. No entanto magia pode ser uma das únicas coisas da realidade que foi criada para não ser convincente.

As vezes magia funciona, outras vezes não.
A magia inclusive pode funcionar melhor para umas pessoas do que para outras, afinal ela é apenas se trata de uma regra aleatória inserida para ser engraçada.

Os criadores dos filmes da Disney inseriram mensagens sexuais escondidas nos filmes como uma piada (https://storify.com/ashtronangry/subliminal-messages-in-disney-films).
O criador deste simulacro pode ter alguns mecanismos escondidos no simulacro como as viagens astrais e kundalini também para ser engraçado.

Outra assinatura inserida para sabermos que não estamos na realidade base podem ser os sonhos. Afinal quando estamos num sonho pensamos que estamos na realidade base mas não estamos.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Como se define Magia



O que é a Magia?





Proponho a seguinte definição como ponto de partida:

"A magia é arte de deslocar a consciência, através da manipulação de símbolos, para estados alterados tal que esse deslocamento provoque alterações no universo subjectivo/objectivo correspondentes a um desejo formulado."

Alan Moore no documentário "Mindscape of Alan Moore" afirma que o campo da Publicidade/Marketing encontra-se bastante próximo do campo da Magia.



Qual é a diferença entre Marketing e Magia?

Os publicitários manipulam símbolos para criar um desejo nas pessoas.

Podemos referir magia diferencia-se da publicidade porque a publicidade está relacionada com criação de um desejo enquanto magia está relacionada com a realização de um desejo.
 E se o desejo de uma pessoa (o publicitário) for criar um desejo nas outras pessoas?

O objectivo de um feitiço de amor é criar um desejo na outra pessoa.

Então diferença entre o que um publicitário e quem faz um feitiço de amor?
Podemos resolver o problema apenas acrescentado uma palavra definição de cima.

A magia é arte de deslocar a própria consciência, através da manipulação de símbolos, para estados alterados tal que esse deslocamento provoque alterações no universo subjectivo/objectivo correspondentes a um desejo formulado.


A actividade do publicitário é voltada exclusivamente para alterações da consciência de terceiros e não a sua própria.



Qual a diferença entre Psicologia e Magia?

Mas agora vamos bater na diferença entre Psicologia e Magia, pois podemos argumentar que o campo da psicologia é voltado para alteração da própria consciência.

O psicólogo através de manipulação de símbolos (Ex: palavras) provoca mudanças na consciência para produzir determinadas resultados tais como a resolução problemas ou obtenção de felicidade e satisfação (psicologia positiva).
Podemos contra-argumentar que não é bem assim já que a ciência da psicologia também é voltada para alteração da consciência de terceiros, pois na psicologia existe um intermediário ,o psicólogo, que altera a consciência de um paciente.

 Enquanto a magia é uma pratica voltada para o próprio indivíduo, o marketing e psicologia não são.


Acresce psicologia também aspira ser uma ciência, e por necessita cumprir requisitos de repetibilidade. Assim na psicologia reinam as médias e normas.




Qual diferença entre Arte e Magia?

É altura batermos contra a barreira da arte. O artista altera a sua própria consciência para produzir   obras de arte (um resultado objectivo!).

Este problema é levantado por Alan Moore. Moore ousa a afirmar que magia é literalmente arte e arte é literalmente magia.

Segundo a Wikipédia a definição de arte é a seguinte:
"Arte (do latim ars, significando técnica e/ou habilidade) pode ser entendida como a atividade humana ligada às manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada por meio de uma grande variedade de linguagens[1tais como: arquiteturadesenhoesculturapinturaescrita,músicadança e cinema, em suas variadas combinações."

De facto a Magia pode ser tão confundida com arte que os mais desatentos/crédulos confundem um ritual esteticamente belo com um ritual com poder real.
Por exemplo, imaginando alguém que dúvida da eficácia do ritual menor do pentagrama, pode argumentar que ritual é amplamente usado não por causa da sua eficácia, mas antes por causa da sua beleza.
Continuando esse raciocino, o ritual e pode ser considerado esteticamente belo já que, como alguns argumentam, a simetria traz beleza e o rmp têm bastantes simetrias. No ritual existem as quatro elementos balançados entre si, as Sephiras da arvore Vida são associadas a partes do corpo humano e essas relações são belas, ou por outras palavras, caem bem esteticamente.

Temos vários magos foram bons artistas: temos por exemplo o Aleister Crowley que foi poeta e escreveu o poético Liber AL, a banda Therion que foi influenciada pela Dragon Rouge, o William Butler Yeats que foi membro da Golden Dawn e ganhou um prêmio Nobel da literatura e por fim temos Alan Moore e Grant Morrison nos quadrinhos.


Será a magia arte e arte magia?

Bem ainda não descobrimos algo que distinga arte da magia.

Voltemos examinar a definição de arte. No merriam-webster temos a seguinte definição:
"algo que é criado com imaginação e habilidade e que é belo ou que expressa ideias ou sentimentos importantes".

Portanto o objectivo da arte é criar algo esteticamente ou expressar uma ideia ou sentimento importante.

 Eu diria que a magia vêm além da capacidade de expressão e do aspecto estético.
O mago procura realizar desejos que aumentem o seu poder no mundo.

Então reformulemos a nossa definição de magia:

"A magia é arte de deslocar a própria consciência, através da manipulação de símbolos, para estados alterados de modo a que esse deslocamento aumente as probabilidades de exercer poder sobre o universo subjectivo/objectivo."

Fernando Pessoa também deu definição com base no poder definindo-a como "O poder, no sentido do poder mágico, é uma operação da mente pela qual os resultados do esforço contínuo são obtidos sem o uso do esforço contínuo." (http://arquivopessoa.net/textos/1258)


Em que sentidos podemos utilizar a palavra poder?


Podemos dizer poder financeiro. Podemos dizer poder de sedução. Podemos dizer poder de  persuasão. Podemos dizer poder de comunicação.  Podemos dizer poder de cura.  Podemos dizer poder de antevisão. Podemos dizer poder mental (e aqui cai toda magia que pretende alterar o universo subjectivo). De forma mais ampla podemos dizer poder de controlo.


O conceito de poder implica intenção. Poder significa controlar as circunstâncias para que as coisas aconteçam de forma desejada e não de outra (não desejada).


Magia sempre foi usada para que se tentasse obter mais controlo sobre a existência.

Por exemplo, ora os magos de antiguidade tentavam influenciar o resultado de uma guerra ou acabar com uma seca.

No entanto seria errado dizer que magia somente é focada em obter mais controlo sobre coisas.

As vezes são as nossas próprias estruturas mentais rígidas que nós aprisionam.
Então magia também pode ser sobre abdicar controlo para se possa construir algo novo sobre o velho.

Actualmente vivemos numa época materialista onde somos obcecados em obter coisas materiais. 

A visão materialista não é muito compatível com a visão mágica do mundo.

O que é materialismo?

Segundo a Wikipédia o materialismo é:
"Em filosofiamaterialismo é o tipo de fisicalismo que sustenta que a única coisa da qual se pode afirmar a existência é a matéria; que, fundamentalmente, todas as coisas são compostas de matéria e todos os fenômenos são o resultado de interações materiais; que a matéria é a única substância"

Ora em oposição temos ao materialismo, temos o idealismo.

Numa época em que materialismo é visão reinante, podemos dizer que é uma atitude contra-cultura/antinomiana (no sentido lhp, não de Lutero) optar-se por uma posição idealista. O magos são os verdadeiros outsiders da sociedade moderna.

O académico Hanegraaff, referência mundial no campo de estudos de esoterismo ocidental, sustenta que "esoterismo ocidental" é uma categoria que representa "caixote do lixo da mundo académico que contêm o conhecimento rejeitado".

Então reformulemos novamente a definição de magia:


"A magia é arte de deslocar a própria consciência, através da manipulação de símbolos, para estados alterados de modo a que esse deslocamento aumente as probabilidades de exercer poder sobre o universo subjectivo/objectivo. A magia adopta uma posição filosófica idealista defendendo que a mente pode exercer grande influência sobre a matéria."


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Criatividade e a função de um ser humano


A magia tradicionalmente e na sua concepção mais comum poderia ser definida como "manifestação na realidade objectiva, por meio de ritual, um evento visualizado na mente"" (definição de Éris Kallisti).

No entanto em muitas escolas esotéricas, o alvo de transformação ainda continua a ser o Eu, o próprio ser humano.
Alguns alquimistas procuravam transformar a substância de chumbo em ouro, enquanto outros alquimistas que trilhavam uma vertente mais espiritual procuravam transformar o próprio ser humano em ouro.


Mas qual seria o objectivo final deste tipo de magia? Transformar o ser humano em quê?




O filosofo Richard Taylor diz que uma característica que distingue os seres humanos de todos os outros seres é a criatividade, e por isso para ser humano cumprir a sua natureza teria de desenvolver esta faceta criativa.

Algumas situações de Richard Taylor:
"[Creativity] is certainly what distinguishes us from every other creature. Human beings are, by virtue of their intelligence, capable of creating things that are novel, unique, sometimes of great worth, and even, though rarely, of overwhelming value.

One thinks, for example, of scientific theories or great works of art or literature, or profound treatises like Spinoza's Ethics, or the great and lasting music that emerges from the creative genius of one person. It is here, certainly, that we see what distinguishes us from all other living things and entitles us to think of ourselves as akin to the gods" (Richard Taylor, Restoring Pride)

"Thus instead of supposing that work of art must be something that all  can behold - a poem, a paiting, a book, a great building - consider  making your own life a work of art. You have yourself to begin with,   and a time of uncertain duration to work on it. You  do not have to be what you are, and even though you may be quite  content with who and what you are, it will not be hard for you think
 of something much greater that you might become. It need not be something spectacular or even something that will attract any notice from others. What it will be is a kind of excellence that you project for yourself, and then attain something you can then take a look at, with honest self-appraisal, and be proud of " (Richard Taylor, Restoring Pride)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Martin Luther e razão





É isso mesmo que quero, afastar-me ainda mais de Deus e das farsas do mundo divino, então bora cultivar a razão.
E hoje em dia é antinomiano (no sentido do lhp, não do lutero) ser inteligente.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Integração

O left hand path não é só um caminho trevas. mas também de luz.
Uma das diferenças entre praticante do RHP e LHP, é que o praticante do LHP não rejeita o lado sombrio da existência.
O praticante do LHP pode fazer tudo o que praticante do RHP faz e ainda mais.
O praticante do LHP tal como o praticante a RHP vai até luz, mas também se aventura nas sombras que se encontram fora dessa luz.